terça-feira, 29 de setembro de 2009

PETRÓLEO: PSDB e DEM LUTAM PARA BENEFICIAR GRUPOS ESTRANGEIROS

EMENDAS DOS DEMOS E TUCANOS SÃO A FAVOR DA MANUTENÇÃO DO MODELO DE FHC/PSDB QUE FAVORECE AS PETROLÍFERAS ESTRANGEIRAS
Quem é quem nas emendas aos projetos do pré-sal"Reportagem do jornal "Valor Econômico" desta segunda-feira (28/9) aborda os posicionamentos dos partidos em relação aos projetos de lei do novo marco regulatório, que estão em tramitação no Congresso Nacional. Segundo a matéria, “o bloco PSDB-DEM concentrou suas forças na proposta que trata da troca do modelo de concessão pelo regime de partilha na exploração do óleo. Foram 271 emendas do total de 836 apresentadas aos quatro projetos. O PT e o PMDB apresentaram, somadas, 230 emendas. Mas suas prioridades foram o Fundo Social.
“ FONTE: publicado hoje (29/09) no blog "Fatos e Dados", da Petrobras.

A QUEM INTERESSA DERROTAR O BRASIL?

O protagonismo do Brasil em Honduras modifica sua tradição
Reorientação do Itamaraty. Além de liderar a Unasul, o presidente Lula projeta seu país como protagonista crucial da crise centro-americana
A decisão do governo do Brasil de abrir sua embaixada em Tegucigalpa para o derrubado presidente Manuel Zelaya a utilize em seu retorno como posto de ação é sem dúvida um acontecimento maior -- tão importante quanto o regresso do mandatário hondurenho -- que modifica uma das políticas fundamentais do Itamaraty nos últimos cem anos.
Essa política, estabelecida pelo barão de Rio Branco (1902-1912) ao largo de quatro mandatos sucessivos (Rodrigues Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha e Hermes da Fonseca) e continuada durante os cem anos posteriores, com governos de distinta orientação política e ideológica, estabelecia que, na América Central e no Caribe, o Brasil reconhecia a primazia dos Estados Unidos na resolução diplomática ou pela força das crises e conflitos na região. Rio Branco transferiu o eixo da política externa brasileira de Londres a Washington; e Joaquim Nabuco, primeiro embaixador brasileiro na capital norte-americana, foi o executor dessa mudança estratégica primordial, que decidiu a inserção do Brasil no mundo.Rio Branco foi o primeiro estadista sul-americano que compreendeu que o triunfo dos Estados Unidos na guerra de Cuba (1898) e sua posterior e decisiva mediação no Extremo Oriente, que pôs fim à guerra da Manchúria entre Rússia e Japão (1905), convertia a nação americana em uma potência global e modificava, ao mesmo tempo e para sempre, o sistema de poder internacional, que adquiria uma escala irreversivelmente mundial.Assim, a "aliança não escrita" com os Estados Unidos se converteu na viga central da política externa do Brasil; e Rio Branco incorporou a potência norte-americana no equilíbrio de poder da América do Sul, com o objetivo -- que conquistou -- de somá-la à disputa com a Argentina pela supremacia sul-americana.Rio Branco deu respaldo ao "corolário Roosevelt" à Doutrina Monroe, pelo qual o mandatário norte-americano Theodore Roosevelt (1901-09) legitimou a utilização do poder militar (fuzileiros navais americanos) para restabelecer a ordem ou derrubar governos não confiáveis na América Central e no Caribe. Este é o antecedente direto do reconhecimento da primazia norte-americana na América Central e no Caribe, que tem sido uma constante da política externa brasileira até segunda-feira desta semana.
A "aliança não escrita" com os Estados Unidos alcançou um segundo momento de apogeu com Getúlio Vargas, durante o governo de Franklin Delano Roosevelt (1933-45), com a instalação no Nordeste de três bases militares norte-americanas (Belém, Natal e Recife), a declaração de guerra ao Eixo (31 de agosto de 1942) e o envio de um contingente militar para combater na Europa (Força Expedicionária Brasileira), como parte do Quinto Exército estadunidense.A política exterior do Itamaraty -- do governo Lula -- tem como prioridade readquirir relevância internacional e resulta numa estratégia de aproximação indireta ao poder mundial (Estados Unidos-G7), fundada na construção na América do Sul de uma plataforma de projeção ao mundo. Neste período, a premissa dessa política exterior tem sido que, na América Latina, há uma fratura profunda entre a América Latina do Norte e a do Sul. Por isso a política impulsionou a criação da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL).Agora o Brasil saiu do Sul e se tornou um protagonista fundamental da principal crise da América Latina do Norte. Está no centro dos acontecimentos em Honduras.
Não atua de forma compartilhada ou multilateral, mas individualmente, como grande potência.É uma novidade histórica. O Brasil é hoje a representação da comunidade internacional em uma crise que se aprofunda, se polariza e se amplia.
"FONTE: escrito por Jorge Castro, publicado no diário argentino El Clarin; reproduzido hoje (29/09) no portal "Vi o mundo", do jornalista Luiz Carlos Azenha.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O que o petróleo do pré sal tem a ver com voçe

* Saiba por que tanta gente quer por a mão nessa riqueza e por que há tanta agitação, no Congresso Nacional, sobre esse assunto
Por Dr. Castagna Maia



Lula entrou pode entrar para a história se conseguir regulamentar o pré-sal.
I - Abaixo do fundo do mar, a cerca de 2 km de profundidade, há uma camada chamada “pós-sal”; abaixo dela, há a chamada “camada de sal”; e abaixo dessa camada há a “camada pré-sal”. Ou seja, há o mar, com cerca de 2 km de profundidade; e após isso, cerca de 5 km abaixo, há a camada pré-sal. A Petrobrás encontrou, há cerca de dois anos, reservas gigantescas de petróleo nessa camada pré-sal.
II - Há uma possibilidade de o pré-sal ter 300 bilhões de barris de petróleo. Façamos uma conta por UM TERÇO disso, 100 bilhões de barris. O custo de produção, hoje, no mundo, é de cerca de 8 dólares por barril. Como a tecnologia necessária para explorar o pré-sal é maior, façamos a conta a 20 dólares o barril para extração. Com a cotação do barril a 70 dólares, hoje, é possível ter um “lucro” de 50 dólares sobre o barril.
Se multiplicarmos esses 50 dólares de “lucro” por 100 bilhões de barris, teremos 5 trilhões de dólares. Essa é a riqueza já pesquisada e descoberta pela Petrobrás, calculada pela hipótese mais pessimista possível.
III - É uma riqueza realizável no tempo, durante, por exemplo, 20 anos, e levaremos 6 ou 7 anos para atingir uma boa produção.
Divididos esses 5 trilhões de dólares por 20 anos, dá 250 bilhões de dólares ao ano.
  1. O que são 5 trilhões de dólares?
  2. O que dá para fazer com isso?

O orçamento do trem-bala Rio-São Paulo é de 15 bilhões de dólares. Com 300 bilhões de dólares podemos fazer 20 trens-bala, ligando de Porto Alegre a Belém, passando por São Luís, Teresina, Fortaleza, Maceió, Aracaju, Cuiabá, Campo Grande e por aí afora. Isso permitiria o transporte barato de pessoas e da produção, integrar regiões a um preço baixo, economizar na manutenção de estradas e ter um transporte mais seguro, mais confortável e mais limpo. Imagine o que seria isso na integração econômica do Brasil. Esses 300 bilhões de dólares seriam 6% da riqueza do pré-sal, na pior hipótese que é de “apenas” 100 bilhões de barris.
O orçamento anual da Universidade de Harvard é de 3 bilhões de dólares. Com 60 bilhões de dólares podemos sustentar uma universidade do mesmo nível de Harvard durante 20 anos. Podemos colocar na nossa Harvard Tropical os 5 primeiros colocados nas melhores universidades do País, sem que paguem nada. Fariam graduação, mestrado, doutorado. E voltariam para suas universidades para disseminar o conhecimento. Ali está o futuro da tecnologia brasileira. Nossa conta já foi, aqui, a 360 bilhões de dólares.
IV - O INSS paga anualmente o equivalente a 90 bilhões de dólares em benefícios. Com o equivalente a mais de dois anos de pagamento de benefícios, 180 bilhões de dólares, é possível CORRIGIR E MANTER as aposentadorias do INSS. É possível resgatar os valores das aposentadorias e pensões, e resgatar a dignidade dos aposentados. Somando 20 trens-bala, a “Harvard Tropical”, o resgate dos aposentados e pensionistas, teríamos 560 bilhões de dólares. Os três projetos que mencionamos até agora envolveriam a APENAS ONZE POR CENTO DA RIQUEZA DO PRÉ-SAL calculada por baixo.
Praticamente todo o financiamento brasileiro da indústria, habitação, saneamento, renovação do parque industrial, incorporação de novas tecnologias é feito com recursos do FAT, via BNDES. O FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador, que também paga o seguro-desemprego, tem um patrimônio próximo a 80 bilhões de dólares. O FGTS acumulou, até hoje, cerca de 90 bilhões de dólares. Esses dois fundos totalizam, portanto, 170 bilhões de dólares.
V - O Brasil pode fazer um novo fundo igual À SOMA DO FAT E DO FGTS, mais os 20 trens-bala, mais nossa Harvard tropical, mais corrigir e manter aposentadorias do INSS, e mesmo assim isso somaria APENAS 14% de uma projeção rasteira dos recursos do pré-sal. Isso totalizaria, por alto, 730 bilhões de dólares.
VI - O orçamento federal da Educação é de 17 bilhões de reais, ou 9 bilhões de dólares. Esses recursos podem ser TRIPLICADOS: os 9 existentes mais 18 bilhões de dólares. Com esse acréscimo de 18 bilhões de dólares ao orçamento já existente, em 20 anos seriam gastos 360 bilhões de dólares. Isso permitiria, finalmente, a ESCOLA PÚBLICA EM TEMPO INTEGRAL, com alimentação, médico, dentista, biblioteca, computadores, atletismo, esporte, cultura. A conta, aqui, chegou a 1,09 trilhão de dólares.
VII - O orçamento da saúde, que sustenta o SUS, é de 43 bilhões de reais, ou 22 bilhões de dólares. Se DUPLICARMOS o orçamento do SUS, teremos que adicionar mais 22 bilhões ao ano, ou 440 bilhões de dólares em 20 anos. Isso é 8% do total do petróleo da camada pré-sal segundo a conta mais pessimista. Aqui, a conta sobe para 1,530 trilhão de dólares, ou 28% do total do pré-sal.
VIII - Para fins meramente comparativos, veja: a dívida interna brasileira está em 1 trilhão de reais, ou 500 bilhões de dólares. Somado isso aos projetos anteriores, seriam gastos 2,03 trilhões de dólares. E estamos falando na conta mais pessimista, de 5 trilhões de dólares de reservas.
Mas veja as premissas:
a. Falamos do preço do barril a 70 dólares, hoje, e deve subir, novamente, a 100 dólares o barril.
b. Calculamos sobre reservas de 100 bilhões de barris, mas podem chegar a 300 bilhões de barris.
c. Falamos de um custo de extração quase 3 vezes maior do que o atual: atualmente, 8 dólares o barril. Aqui, apontamos 20 dólares porque se trata do pré-sal, onde a dificuldade é maior. 70 dólares o barril menos 20 de custo de extração dá 50 dólares de lucro líquido por barril. Multiplicando por 100 bilhões de barris, dá 5 trilhões de dólares. Se o custo de extração for maior, de 30 dólares o barril, o total de “lucro líquido” chega a 4 trilhões de dólares.
O valor do pré-sal foi calculado, aqui, prevendo algo muito menor do que as expectativas técnicas.
IX - Quanto aos projetos, temos, em dólares:
1 - 300 bilhões para 20 trens-bala interligando de Porto Alegre a Belém, o que barateira a locomoção de pessoas e o transporte de mercadorias e integraria definitivamente o Brasil.
2 - 60 bilhões de dólares para construir e manter, durante 20 anos, uma universidade no padrão Harvard, que abrigaria os melhores alunos das nossas universidades, gratuitamente, e daria continuidade à nossa busca por tecnologia própria.
3 - 200 bilhões de dólares para corrigir e manter as aposentadorias do INSS, igual a mais de dois anos do total de benefícios atuais.
4 - 170 bilhões de dólares para fazer um novo fundo de desenvolvimento, igual à soma do FAT e do FGTS.
5 - 360 bilhões de dólares que triplicam o orçamento federal da Educação nos próximos 20 anos, e que permitiriam escola de tempo integral para todos, com alimentação, saúde, atletismo, esporte, informática.
6 - 440 bilhões de reis para DOBRAR o orçamento federal em saúde durante 20 anos.
7 - 500 bilhões de dólares como mero comparativo do que seria necessário para liquidar a dívida interna brasileira.
Isso tudo dá um total de 2,03 trilhões de dólares, ou 40% do que temos no pré-sal de acordo com os cálculos absolutamente pessimistas que fizemos. Só que o pré-sal pode ter 300 bilhões de barris; o petróleo pode ir rapidamente a 100 dólares, e o custo de extração permaneceria em 20 dólares, o que daria um “lucro líquido” de 80 dólares o barril. Nessa hipótese, teríamos 300 bilhões de barris multiplicados por 80 dólares de “lucro líquido”, o que daria 24 trilhões de dólares. Essa é a hipótese otimista.
X - E o que o Brasil precisa para “ganhar” 5 trilhões de dólares, ou seja, o “lucro” do pré-sal após extraído? Só precisamos extrair, com a tecnologia já detida pela Petrobrás. A Constituição Federal já disse que o petróleo pertence à União, pertence ao povo brasileiro. Uma parte já foi vendida – por causa da terrível “flexibilização do monopólio do petróleo”, por meio dos absurdos leilões de bacias petrolíferas. Mas há, no mínimo, 5 TRILHÕES de dólares líquidos esperando pelo Brasil.
É claro que a conta pode ser feita com outros destinatários: as grandes petrolíferas multinacionais fazem essa conta tendo em vista o seu lucro; alguns, tendo em vista financiamentos de campanhas políticas; outros, o enriquecimento pessoal. Aqui fizemos uma conta levando em consideração os interesses do BRASIL E DO SEU POVO. Apontamos projetos que podem mudar radicalmente o Brasil, que nos colocam no grupo dos países desenvolvidos. Ou se pensa no Brasil e no seu povo, ou se pensa em como apropriar essas riquezas para poucos grupos internacionais, para financiar campanhas políticas, para o enriquecimento de alguns.
XI - O petróleo do pré-sal interessa diretamente a você. Se você é trabalhador, porque haverá geração de mais empregos e consequente aumento de salários. Só o convênio PROMINP – Petrobrás Indústria garante, desde já, 250.000 empregos diretos e 500.000 empregos indiretos. Isso de imediato. Se você é aposentado, porque uma pequena parte desses recursos já garantiria a correção e manutenção das aposentadorias, além da viabililidade permanente da previdência social e a significativa melhora da saúde pública. Se você é empresário, porque é possível constituir um fundo igual à SOMA do FAT e do FGTS para financiar investimentos, ganhos tecnológicos, ampliações, consumo, distribuição, transporte, habitação, exportação, além de baratear o transporte dos produtos.
XII - É preciso garantir o nosso próprio abastecimento, em primeiro lugar, durante todo esse período, até que possamos ultrapassar nossa dependência do petróleo e criar nova matriz energética. Garantido nosso abastecimento, é preciso reverter essa riqueza para o povo brasileiro. Essa riqueza é sua, dos seus filhos, dos seus netos, é o legado que uma geração deixará para as gerações seguintes: a de um futuro promissor, farto, humano, fraterno, do Brasil e do seu povo. É o nosso ingresso no grupo dos países desenvolvidos.
Dr. Castagna Maia (advogado)





domingo, 27 de setembro de 2009

Gabeira avisa: Marina será linha auxiliar dos tucanos

Muita gente comemora a entrada de Marina Silva na campanha presidencial. Ela seria uma alternativa para "arejar a disputa", dizem uns amigos a quem respeito.
A candidatura ideal pra mim seria aquela que reconhecesse os avanços do governo Lula (e são vários), sem abrir mão de fazer a crítica pela esquerda.
Marina seria essa alternativa? O perfil dela indica que sim. Acontece que política não se faz com perfil do candidato apenas....





Um velho barbudo, no século XIX já dizia: as pessoas não são aquilo que dizem ser, mas aquilo que são na prática. A frase não é bem essa, a citação é mambembe, mas a idéia é essa.
Não adianta o Serra dizer que ele é social-democrata; porque o partido dele foi responsável por um governo ultraliberal e privatista. Sobre a candidatura de Marina, é preciso fazer duas perguntinhas simples:

  1. a quem interessa?
  2. quem estará com ela?

A resposta para a primeira pergunta é subjetiva. Há quem diga que interessa ao Serra, por tirar votos de Dilma, pela esquerda. Marina seria a Soninha em nível nacional. Mas há quem diga que a candidatura dela interessa ao eleitor que se sente órfão diante da polarização Lula X PSDB .

A resposta para a segunda pergunta é mais simples. Marina, se sair candidata, estará no PV. Ela foi recebida nesta quarta-feira pelo Gabeira. Ele trabalha há alguns anos como linha auxiliar dos tucanos, todo mundo sabe. Mais que isso: Gabeira é uma espécie de UDN verde. Moralista da boca pra fora, berrava contra Severino, de dedo em riste. Ao mesmo tempo, se lambuzava em dinheiro público, como já escrevi aqui - http://www.rodrigovianna.com.br/plenos-poderes/gabeira-a-nova-udn-se-lambuza-em-dinheiro-publico.

Pois bem. Se alguém tinha alguma dúvida sobre as intenções do PV em relação a Marina Silva, isso se dissipou depois do encontro com Gabeira.

Leiam o que Gabeira disse ao site G1, que é uma espécie de porta-voz da UDN do Leblon. G1:

"Gabeira afirmou ainda que o “fator Marina” pode interferir no seu planejamento eleitoral. Ele é pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro e diz contar com o apoio de PSDB, DEM e PPS para a empreitada. O problema é que toda a negociação da aliança foi feita em cima da possibilidade de o deputado fazer campanha para o candidato à Presidência do PSDB, José Serra (SP) ou Aécio Neves (MG), apontados como potenciais nomes para encabeçar a chapa tucana. Na visão de Gabeira, sua candidatura ao governo do Rio de Janeiro só seria possível com um acordo entre os partidos para que ele defenda dois candidatos à Presidência, o do PV e o do PSDB. Ele descartou ser candidato apenas pelo PV, sem alianças. “Não vou disputar só com um minuto na televisão.” =Volto eu. Gabeira, como se vê, terá dois candidatos a presidente: Serra e Marina. Nessa ordem. Ou seja: a senadora do Acre, para o PV, é sublegenda dos tucanos.

O povo não é besta. Vai perceber isso.Espero que Marina também perceba. Antes que jogue sua biografia no lixo...

A boa notícia é que a candidatura Marina pode acabar com essa polarização Dilma x Serra. Se há espaço para uma sub-leganda dos tucanos, por que não apostar numa outra candidatura lulista? O Ciro já avisou que está no jogo.E disse, ao "Estadão", qual seria o mote de sua campanha: "manter e institucionalizar tudo de bom do Lula. E consertar o que de contradição existe". Ciro seria um pós-Lula. Um candidato que reconheceria os avanços de Lula, sem preconceito anti-nordestino, sem elitismo, e principalmente sem tucanos à sua volta.
Fonte: http://www.rodrigovianna.com.br/plenos-poderes/gabeira-avisa-marina-sera-linha-auxiliar-dos-tucanos

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

TRUQUE TUCANO NA PESQUISA DO IBOPE

Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

Nassif aponta truque da pesquisa Ibope para poupar Serra"O jornalista Luis Nassif, em seu blog, fez uma pergunta pertinente sobre a pesquisa eleitoral divulgada nesta terça-feira (22) pela CNI-Ibope. Por que "todos os cenários têm Dilma e Ciro, e nenhum testa uma candidatura única do campo de Lula?". "É evidente que a escolha dos cenários de candidaturas visou poupar a candidatura Serra", conclui Nassif no post A pesquisa de Montenegro 'bola nossa'. Confira.Na composição de candidaturas, como saber o potencial do governador José Serra? Colocando-o contra apenas uma candidatura forte da situação: ou Ciro Gomes, ou Dilma Roussef.A pesquisa trabalha em cima de vários cenários. Mas nenhum deles contempla o ponto essencial: Serra concentrando os votos anti-Lula; e um candidato (Ciro dou Dilma) concentrando os votos pró-Lula ou anti-Serra. Essa é a grande indagação, a que mais interessa a todas as partes, a que melhor permite avaliar o potencial da candidatura Serra. Mas não é contemplada.Em vez desse cenário, a pesquisa trabalha as seguintes composições de candidatos:

1. No cenário principal, Serra, Dilma, Ciro, Marina e Heloisa.
2. No cenário 2, tira Serra e coloca Aécio. Mas mantém Ciro e Dilma.
3. No cenário 3, tira Heloisa Helena. Mas mantém Serra, Ciro e Dilma.
4. No cenário 4 tira Serra e Heloisa Helena, e deixa Aécio, Ciro, Dilma e Marina.

Ou seja, testou todas as composições, menos a essencial: uma candidatura forte da situação contra ele (no primeiro ou no segundo turno).Não dá para questionar a metodologia adotada, sem as informações técnicas sobre a pesquisa e o conhecimento de técnicas estatísticas.Mas é evidente que a escolha dos cenários de candidaturas visou poupar a candidatura Serra de qualquer maneira.
"FONTE: texto originário do portal de Luis Nassif publicado no portal "Vermelho".

20 ANOS DE PSDB: ENTRE A DIVISÃO E A CORRUPÇÃO




O site “vermelho” fez ontem uma boa análise da história do PSDB, cujos 20 anos de existência agora se completam. O título é o mesmo acima colocado.O autor é Gilson Reis, Presidente do Sinpro – MG, Sindicato dos Professores, e dirigente nacional da CSC. Transcrevo:

“O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) foi fundado há vinte anos por meia dúzia de parlamentares desgostosos com a crise ética, política e econômica que vigorava na segunda metade do governo Sarney. A legenda surgia então como uma alternativa da elite nacional, com viés reformista e socialdemocrata, batizada de terceira via e inspirada nos partidos de mesma matriz ideológica que atuavam fundamentalmente na Europa ocidental. Porém, ao contrário dos partidos socialdemocratas da Europa, vinculados ao movimento sindical e às lutas sociais, a sua caricatura brasileira desprezou qualquer participação popular e de transformação social. Aliou-se à alta burguesia financeira e aos setores paulistas da elite industrial e agrária. Não demorou muito e estava o PSDB coligado aos partidos de grande tradição fisiológica. Na área econômica, encontrou guarida na Febraban, na Fiesp e na CNI, e, na esfera política, interlocutores de toda uma geração de políticos da mais alta repugnância histórica: ACM, Bornhausen, Marco Maciel etc.Nessa vasta aliança política, financeira e midiática, os tucanos não demoraram muito a alçar o posto máximo: o governo central, com a eleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. A experiência histórica desse governo ainda está sendo escrita pelos historiadores, mas alguns parâmetros já estão perfeitamente delineados:
  1. alto índice de desemprego – o governo FHC gerou 10 milhões de desempregados;
  2. baixo crescimento econômico – o Brasil cresceu na ridícula taxa de 2,3% ao ano;
  3. corrupção – em oito anos de governo, dezenas de denúncias foram divulgadas, entre elas as do PROER, SIVAM, Pasta Rosa e Privatizações, mas nenhuma foi apurada;
  4. miséria – a situação geral do povo brasileiro, que já era muito ruim, piorou ainda mais.

Com a vitória de Lula, em 2002, os tucanos, perdidos, anunciaram uma nova fase de crescimento pelo país, de consolidação dos princípios programáticos e de oposição permanente ao governo federal. O intuito, em certa medida, se confirmou. O PSDB elegeu no último pleito os governadores de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Alagoas e Paraíba, afirmando, portanto, importante presença no sul, sudeste e nordeste. Em relação à oposição ao governo Lula, o tucanato e seus aliados na Câmara e no Senado vêm demonstrando muita incapacidade e inconsistência política, consubstanciadas nos arroubos de seus líderes: José Agripino e Arthur Virgílio. No campo oposicionista, quem tem se destacado é a grande imprensa, que, desde o início do primeiro mandato, ocupa o papel da oposição. Quanto ao programa praticado nos estados governados pelo partido, o modelito econômico e social é o mesmo: Estado mínimo, privatização, perseguição aos funcionários públicos e negociatas de várias matrizes.Entretanto, as dificuldades da socialdemocracia tucana, órfã de qualquer movimento social e perdida nos desígnios e desacertos do liberalismo selvagem, encontram-se no seu mais alto nível de degradação. Seu líder máximo, o conservador Fernando Henrique Cardoso, encontra-se nas trevas, escondido nas ruínas do seu governo, aprisionado na masmorra do liberalismo e impossibilitado de falar ao povo, que o odeia e o renega. A governadora Ieda Crusius, outra representante do alto tucanato, está emparedada por vários escândalos de corrupção, denunciados pelo vice-governador Paulo Feijó (DEM), que proporcionou até agora a saída de quatro secretários de Estado. Na Paraíba, o governador Cássio Cunha Lima responde a dois processos, ambos já julgados pelo Tribunal Regional Eleitoral, que pediu a sua cassação. Para tentar salvar o mandato, o governador recorreu ao TSE, que, a qualquer momento, deverá julgar o recurso. Em Alagoas, o governador Teotônio Vilela realizou o maior ataque da história aos servidores públicos, proporcionando uma das maiores ondas de greve no estado, refletindo drasticamente na vida de toda a população alagoana.Em São Paulo, dezenas de CPIs foram arquivadas. Entretanto, o último escândalo envolvendo a empresa Alston e o governo tucano foi estampado não por jornais brasileiros, é claro, mas pelo Wall Street Journal. A imprensa européia e as justiças francesa e suíça investigam o escândalo internacional, enquanto isso a imprensa nacional... Ainda no mais rico estado do país, milhares de professores estão em greve por melhores condições de trabalho e salário. O Estado de São Paulo, depois de 16 anos de tucanato, apresenta um dos piores indicadores educacionais. Em Minas Gerais, os problemas não são menores, mas, por enquanto, estão todos acobertados pela ampla aliança construída pelo governador Aécio Neves. No estado de Tiradentes, de tradição libertária, a imprensa, a Assembléia Legislativa, a maioria dos partidos políticos, além da burguesia são controladas pelo governador. A política neoliberal e o autoritarismo estão coesionados e controlados por uma maioria comprada pela corrupção subterrânea ainda não revelada. Contudo, de uma hora para outra, surgirão denúncias e escândalos envolvendo a Cemig, a Copasa, a Gasmig e outras empresas e maracutaias praticadas pelo neto de Tancredo Neves.Mas é no campo da unidade partidária que os tucanos vivem o seu pior momento astral. A luta fratricida em São Paulo entre o governador Serra e o candidato à prefeitura da capital Geraldo Alckmin chegou ao maior grau de constrangimento dos últimos seis anos. Em Minas Gerais, o governador Aécio Neves desconsidera o partido e, num oportunismo descabido, definido pelo seu projeto pessoal, alia-se ao maior adversário nacional do PSDB, o Partido dos Trabalhadores (PT). No Nordeste e no Sul, seus candidatos sequer aparecem em condições de disputar as prefeituras de Porto Alegre, Maceió e João Pessoa. Tudo indica que, ao comemorar vinte anos de vida, o PSDB, um jovem partido da elite brasileira, já apresenta sinais de velhice e de mesmice. A incongruência do que prega e do que faz, a inconsistência do que se propôs a fazer, o desatino pelo poder a qualquer custo, a corrupção, a divisão entre seus principais líderes e o distanciamento dos trabalhadores e dos movimentos sociais são indicativos da morte terminal de um partido criado na pós-ditadura militar e morto na pós-ditadura neoliberal.”
Postado por Política às 01:05 Fonte :http://democraciapolitica.blogspot.com/2008/06/20-anos-de-psdb-entre-diviso-e-corrupo.html

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Ouça entrevista de Zé Dirceu a Ildo Sauer sobre o Pré-sal


Petroleo da camada pré-sal pode mudar o Brasil


Petróleo da camada pré-sal muda patamar do Brasil entre potências
Esta é a conclusão de Ildo Sauer, um dos maiores especialista petróleo e energia no Brasil, ao analisar a importância das descobertas recentes da Petrobras, em termos de poder de negociação e barganha mundial. Segundo Ildo, dentro de 3 ou 4 anos, o combustível de Santos do pré-sal, que vai da costa de Santa Catarina a do Espírito Santo, estará com seu potencial dimensionado."Numa analogia, do ponto de vista de posicionamento e negociação, (para o governo, o petróleo do pré-sal) é algo equivalente ao que tem hoje nas mãos os países que, militarmente, detém a bomba atômica", avalia.Nesta entrevista, o ex-diretor de Gás e Energia da Petrobras, também explica como a estatal pode levar a cabo sua missão na política energética nacional. Ele observa que, apesar da política neoliberal, o governo Fernando Henrique Cardoso, e de presidentes que o antecederam, conseguiu resistir e pôde desenvolver, ao longo dos seus 50 anos, tecnologia que empresa nenhuma no mundo foi capaz.Atualmente, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo, Ildo explica as razões pelas quais é a favor de uma mudança no marco regulatório do petróleo. Ele considera "amadurecida" a discussão a respeito e, portanto, que a decisão pode ser adotada já. Analista crítico e um dos formuladores da política energética do Partido dos Trabalhadores, Ildo defende a realização de um balanço da gestão e da política de energia nos últimos anos no Brasil. E prevê: "ele vai mostrar que no setor elétrico, onde o problema foi maior por causa de uma lacuna regulatória, o mercado livre, de 2003 a 2007, comprou cerca de 25% da energia elétrica, mas subvencionada pelas estatais a um custo que quase as deixou quebradas."

Fonte http://www.zedirceu.com.br/index.phpoption=com_content&task=view&id=4809&Itemid=61

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Nova proposta acordo coletivo

A Comissão de negociação enviou na ultima hora deste dia 16 proposta para apreciação dos trabalhadores dos Correios em greve a referida proposta será votada nas assembleias dos Sindicatos do Pais para aprovação da proposta será necessário que 18 sindicatos aprovem , segue a proposta:

Reajuste de 9% retroativo a Julho de 2009
Aumento linear de R$ 100,00 apartir de Janeiro de 2010
Vale alimentação de R$ 21,50 neste ano e R$ 23,00 EM 2010
Vale cesta de R$ 120,00 agora e R$ 130,00 EM 2010
Vale Peru em Dezembro de 2009 e 2010

Reunião Coohrreios e Prefeitura Municipal de Panambi

Reunirão na sede dos Correios no ultimo dia 14/09 a Direção da Cooperativa de Habitação e o Prefeito Municipal de Panambi Miguel Schimdt Prim ,a referida reunião contou ainda com as presenças do Assessores da Diretoria Regional Pedro Binotte e Francisco Westrupp na ocasião tratou-se assuntos relacionados ao projeto habitacional da Coohrreios naquela Cidade , ficou acertado entre as partes que estará ocorrendo reunião entre os associados , cooperativa e Prefeitura no Municipio para tratar sobre o andamento do projeto de construção de casas populares naquela cidade a citada reunião esta prevista para acontecer ainda dentro do mês de Setembro.
Maiores informações acessar www.coohrreiosrs.com.br

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Pesquisa mostra candidatura Dilma consolidada


A mais recente pesquisa CNT/Sensus, publicada...

A mais recente pesquisa CNT/Sensus, publicada nos jornais hoje, nos oferece uma ótima oportunidade para uma série de medidas com relação ao governo, ao PT e à pré-candidatura presidencial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Avaliada a pesquisa constatamos que a candidatura Dilma Rousseff está consolidada. Ela tem entre 1/4 e 1/5 dos votos do país; não tem rejeição que a inviabilize; tem margem para crescer em função do desconhecimento de sua candidatura por parte, ainda, de quase 20% do eleitorado, e pelo poder de transferência de votos do presidente Lula; e deve empatar com o candidato tucano ou mesmo ultrapassá-lo. Como, aliás, já acontece quando o concorrente do PSDB é o governador de Minas, Aécio Neves. Fora o fato de que há 1/3 a 1/4 do eleitorado ainda indeciso no país. A aprovação dos brasileiros ao presidente Lula e ao seu governo e a capacidade de transferência de votos do chefe do governo, também, constituem dois outros pontos básicos para o crescimento de Dilma Rousseff.Inclusive porque até mesmo a pequena queda no apoio ao presidente e ao governo pode estar dentro da margem de erro da pesquisa. Mas, ainda que consideremos essa queda, é importante analisar esses e outros números tais como: 20,8% votariam no candidato a Presidente da República apoiado por Lula; 31,4% poderiam votar; 20,2% não votariam; e 24,6% respondem que somente conhecendo o candidato poderiam decidir.
Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr

terça-feira, 8 de setembro de 2009

VIDAS POR UM VOTO

Dia 05 de Agosto de 2009 para muitos trabalhadores pode ter começado como simplesmente mais 01 dia , mais, um dia em que nossos escaninhos estiverão abarrotados de cartas em que tivemos que enfrentar cachorros , clientes extressados ,dobras e demais dificuldades .
Enquanto estavamos cumprindo nossa missão, em Brasilia, no Supremo Tribunal federal, 11 ministros tinham em suas mãos a dificil tarefa de definir a sobrevivencia e o futuro dos Correios e de 110.000 familias que desta instituição dependem.
Nesta dura batalha, tendo de um lado a pressão dos grandes capitais internacionais que representados pela ABRAED( associação Brasileira das empresas de distribuição)e do outro o Governo LULA e 110.000 familias .
Um lado tencionava a quebra do monopólio tendo como consequencia o fim das cartas em nosso escaninho e por consequencia o fim de nossos empregos , visto que em torno de 58% de toda a receita dos Correios adevem deste segmento exercido por força da lei exclusivamente pela ECT , serviços que demandam extrutura e pessoas , estas que justamente demandam melhores condições de trabalho e melhores salários, estruturas que nos fazem termos a necessidade de termos e mantermos agencias de Correios própias nos mais longinquos rincões , viaveis ou não economicamente .
Em tempo temos que registrar que não só 110.000 familias seriam prejudicadas e sim Milhoes de Brasileiros destas pequenas Cidades que não teriam mais a disposição estes serviços de CORREIOS pois certamente a iniciativa privada não teria interresse nestes Municipios , visto que não gerão lucro.
Ao nos depararmos com uma vitória apertada no final , fica uma certeza mais ataques virão, nossa sobrevivencia dependerá de nossa capacidade de nos organizar da capacidade de fazermos alianças bem como assumirmos o protagonismo de nossos futuros.

Pedro Binotte

sexta-feira, 4 de setembro de 2009




Lula: pré-sal foi a "volta por cima" do "dinossauro"Lula faz discurso de olho no petróleo, na história e em 2010
O pré-sal é "patrimônio da União, riqueza do Brasil e passaporte para o nosso futuro", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta segunda-feira ao encaminhar sua proposta para a megajazida petrolífera. Em um "dia histórico", Lula não recorreu a improvisos, que costumam conter as suas declarações mais incisivas. Porém o longo discurso lido e medido nem por isso foi menos politizado, de olho no petróleo, mas também na história e igualmente nas eleições de 2010.

Lula: pré-sal foi a "volta por cima" do "dinossauro"
"Não se pode ainda dizer, com certeza, quantos bilhões de barris o pré-sal acrescentará às reservas brasileiras. Mas já se pode dizer, com toda segurança, que ele colocará o Brasil entre os países com maiores reservas de petróleo do mundo", previu o presidente. As estimativas sobre o tamanho do pré-sal variam muito, chegando a 70 bilhões e até 100 bilhões de barris. O governo por enquanto trabalha sobriamente com 50 bilhões."Tempos de pensamento subalterno"Uma das passagens mais fortes marcou as diferenças com a administração Fernando Henrique Cardoso. Sem citar nomes, Lula disse que em 1997, quando se estabeleceram as atuais regras petrolíferas, "o mundo vivia um contexto em que os adoradores do mercado estavam em alta e tudo que se referisse à presença do Estado na economia estava em baixa". "Altas personalidades naqueles anos chegaram a dizer que a Petrobras era um dinossauro – mais precisamente, o último dinossauro a ser desmantelado no país. E, se não fosse a forte reação da sociedade, teriam até trocado o nome da empresa. Em vez de Petrobras, com a marca do Brasil no nome, a companhia passaria a ser a Petrobrax – sabe-se lá o que esse xis queria dizer nos planos de alguns exterminadores do futuro", afirmou Lula."Foram tempos de pensamento subalterno. O país tinha deixado de acreditar em si mesmo. Na economia, campeava o desalento. O Brasil não conseguia crescer, sofria com altas taxas de juros, de desemprego, e juros estratosféricos, apresentava dívida externa elevadíssima e praticamente não tinha reservas internacionais. Volta e meia quebrava, sendo obrigado a pedir ao FMI ajuda, que chegava sempre acompanhada de um monte de imposições. Além disso, não produzíamos o petróleo necessário para nosso consumo. Ferida, desestimulada e desorientada, a Petrobras vivia um momento muito difícil.""Hoje, nós vivemos um quadro é inteiramente diferente", prosseguiu Lula. Destacou a crise global, onde "os países e os povos descobriram que, sem regulação e fiscalização do Estado, o deus-mercado é capaz de afundar o mundo num abrir e fechar de olhos". Valorizou "o papel do Estado, como regulador e fiscalizador" e voltou a citar os feitos de seu governo na economia e em especial na Petrobras."Em suma, os tempos e o ambiente no mundo são outros. A situação da economia brasileira é outra. O Brasil e o prestígio do Brasil são outros. A Petrobras é outra. E outra também é a situação do mercado do petróleo", resumiu Lula.Três diretrizes contra os "perigos"Para Lula, a riqueza do pré-sal, "bem explorada e bem administrada, pode impulsionar grandes transformações no Brasil, consolidando a mudança de patamar de nossa economia e a melhoria das condições de vida de nosso povo"."Mas o pré-sal também apresenta perigos e desafios", advertiu ele. E lembrou a sina de "países pobres que descobriram muito petróleo" mas "continuaram pobres", pouis "o que era uma dádiva transformou-se numa verdadeira maldição".Para evitar esse risco, "determinei três diretrizes básicas", osque orientam projetos de lei enviados ao Congresso. "Primeira: o petróleo e o gás pertencem a todo o povo brasileiro". Portanto, "a maior parte da renda gerada" permanecerá nas mãos do povo."A segunda diretriz é de que o Brasil não vai se transformar num mero exportador de óleo cru". Exportará gasolina, óleo diesel e produtos petroquímicos, "que valem muito mais", geram empregos e "uma poderosa indústria fornecedora dos equipamentos e serviços"."A terceira diretriz: não vamos nos deslumbrar e sair por aí, como novos ricos, torrando dinheiro em bobagens. O pré-sal é um passaporte para o futuro. Sua principal destinação deve ser a educação das novas gerações, a cultura, o meio ambiente, o combate à pobreza e uma aposta no conhecimento científico e tecnológico, por meio da inovação. Vamos investir seus recursos naquilo que temos de mais precioso e promissor: nossos filhos, nossos netos, nosso futuro."O novo marco regulatórioCom esses objetivos, Lula defendeu a mudança do marco regulatório para o pré-sal. "Seria um grave erro manter na área do pré-sal, de baixíssimo risco e grande rentabilidade, o modelo de concessões, apropriado apenas para blocos de grande risco exploratório e baixa rentabilidade", afirmou. E justificou assim o sistema de partilha, onde "a União continuará dona da maior parte do petróleo e do gás".Segundo Lula, o modelo de partilha permitirrá ao Estado controlar o processo de produção e "calibrar" seu ritmo, "de acordo com os interesses nacionais, sem se subordinar às exigências do mercado". "Dessa maneira, ficará mais fácil para o Brasil contornar os riscos inerentes à produção excessiva, que poderia inundar o país de dinheiro estrangeiro, desorganizando nossa economia – aquilo que os especialistas chamam de doença holandesa", argumentou o presidente.A Petrosal, "imprescindível"Para gerir os contratos de partilha, o governo propõe acriação de uma nova empresa estatal, a Petrosal. A Petrosal "não concorrerá com a Petrobras" mas será "a representante dos interesses do Estado brasileiro, o olho atento do povo brasileiro, acompanhando e fiscalizando". "Em vários países que adotaram o modelo de partilha, empresas com esse caráter revelaram-se imprescindíveis para defender os interesses públicos e nacionais nas negociações e na gestão de contratos e processos complexos e sofisticados como os que caracterizam a indústria petrolífera", argumentou Lula.O novo Fundo, "uma mega-poupança"O governo propõe também a criação do Fundo Social, que será responsável pela administração da renda do petróleo."De um lado, o novo fundo será uma mega-poupança, um passaporte para o futuro, que preservará e incrementará a renda do petróleo por muitas e muitas décadas. Os rendimentos do fundo serão canalizados, prioritariamente, para a educação, a cultura, o meio ambiente, a erradicação da pobreza e a inovação tecnológica. Vamos aproveitá-los para pagar a imensa dívida que o país tem com a educação e para permitir que a aplicação do conhecimento científico seja, na verdade, a nossa maior garantia do nosso futuro", disse Lula."De outro lado, o novo fundo funcionará, também, como um dique contra a entrada desordenada de dinheiro externo, evitando seus efeitos nocivos e garantindo que nossa economia siga saudável, forte e baseada no trabalho e no talento dos milhões e milhões de brasileiros."Já "a nossa querida e orgulhosa Petrobras" será fortalecida com o "status especial" de "única empresa operadora" no pré-sal. E a União fortalecerá sua participação acionária na empresa, no valor "de até 5 bilhões de barris equivalentes de petróleo."Benditos amigos do dinossauro"O discurso também rendeu várias homenagens aos lutadores pelo petróleo no passado, "chamados de fanáticos e maníacos, de lunáticos", como Monteiro Lobato. E também aos "que saíram às ruas em todo o país na campanha do 'O Petróleo é nosso', uma batalha travada em condições duríssimas. Basta ler os jornais da época, alguns em circulação até hoje, que ridicularizavam a campanha nacionalista. E eu digo: bendito nacionalismo, que permitiu que as riquezas da nação permanecessem em nossas mãos", disse Lula, alfinetando a mídia de hoje."Rendo homenagem muito especial, por fim, a todos os que defenderam a Petrobras quando a empresa passou a ser tratada como uma herança maldita do período jurássico. Benditos amigos e companheiros do dinossauro, que sobreviveu à extinção, deu a volta por cima, mostrou o seu valor. E descobriu o pré-sal – patrimônio da União, riqueza do Brasil e passaporte para o nosso futuro", afirmou."Olho para trás e vejo que há algo em comum em todos esses momentos, algo que unifica e dá sentido a essa caminhada, algo que nos trouxe até aqui e ao dia de hoje: é, sinceramente, a capacidade do povo brasileiro de acreditar em si mesmo e no nosso país. Foi em meio à descrença de tantos que querem falar em seu nome... O povo – principalmente ao povo – devemos esse momento atual.""É como se houvesse uma mão invisível – não a do mercado, da qual já falaram tanto, mas outra, bem mais sábia e permanente, a mão do povo – tecendo nosso destino e construindo nosso futuro. Não creio que seja uma coincidência o fato de a Petrobras ter descoberto as grandes reservas do pré-sal justamente num momento da vida política nacional em que o povo também descobriu em si mesmo grandes reservas de energia e de esperança. Num momento em que o país, deixando para trás o complexo de inferioridade que lhe inculcaram durante séculos, aprendeu como é bom andar de cabeça erguida e olhar com confiança para o futuro."Lula propôs o debate dos projetos de lei não só no interior do Congresso Nacional mas também com governadores e prefeitos, além de dizer estar seguro "de que o povo brasileiro entrará de corpo e alma nesse debate tão importante para o destino do Brasil e para o futuro dos nossos filhos", sobre um assunto que " interessa a todos e depende de todos". "Quero convocar cada brasileiro e cada brasileira a participar desse grande debate", chamou Lula.